ESCOMBROS

EUGÊNIO ABATTE

Vejo os escombros em minha volta
Ruínas de mim, do que fui
Perdi a cabeça, a crença; min'alma do corpo salta
Livrar-me das feridas, quem dera, mais sofrer inclui.
Não sei: Vejo o céu escuro em pleno dia
Poeira, beira o céu em névoa de pó
Cego tento olhar o que há muito já - não - via
Resta o resto de mim que arrasto da vida, só.


Queria ao menos as estrelas para manter-me...
Inocentemente acreditando no amor
Já não as tenho, não as tenho, não iludo-me
Acreditando que, quem sabe, isto passe quando dia se por
E o sol descansar no sombrio e tenso mar...
Então o luar suave penetrar protegendo-me no chão
Sob o que o mundo desabou sobre mim... e então...
Enfim, meu gemido das profundezas vazar.
E eu, mais um desta vez - talvez - sobreviver a queda
Reconstruir meu caminho, reaprender a ser
Transpondo a mágoa, respirar, aspirar, transpirar... 
Nascendo da terra, como semente, e, simplesmente
Dali pre frente atender a exigência de viver 



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