JÁ NÃO SOU HOJE - Eugênio Bp
Eu estou em plena paz,
Que vai além do verso.
Do vento corri tanto atrás,
Hoje não; sou reverso
Fui por tempos, só, sentimento.
Aprisionado em desdem
Quero ser razão, tento
Mas a emoção é quem vem!
Oh santa guerra ingrata!
Eu agora sobrevivente.
Mantendo a alma intacta,
Neste corpo vil e servente.
Flutuo sobre esta estrada,
De sinal nada aparente
Vou à derradeira parada
Que ainda me será evidente
Adoeci,sim, não pra morte;
Do físico ao pronto espírito.
Eu fraco para minha sorte
Me vi forte num mundo restrito
De onde o vento me traz
O tom, o acorde final!
Sobrevoo o campo em paz
Aspirando o doce cheiro matinal
Vou alto deixando aqui
O meu eu poético...
Superando arquétipo
Que de criança conheci
Voo livre sobre o mar
De cores não me contêm!
Já me sinto tão ontem
Nada hojê nas nuvens, no ar...
Minha historia mal contada
Torna-se inacabada obra,
Parte que de mim sobra...
Que pelo tempo, sei,
será apagada
Vou indo restando aqui
Meu ser poético
Fervoroso, ascético
Deixo também a saudade
Do amor que morri...
Lanço ao vento
Textos, temas, querer poético
Sem o desejo, de apoplético,
Me tornar vergonha
Sem o desejo, de apoplético,
Me tornar vergonha
Livre da tranca e da trama
Sem medo, nem trauma
Tendo a calma de quem
Não mais sonha
Não mais sonha

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