MEU EXÍLIO - Eugênio Abatte
Estou exilado. Vejo que já me entardeço. No espelho um estranho rosto Marcas nunca vistas;enlouqueço Águas turvas passam sob meus pés... Cheiros e sons, solidão que desconheço A lua é a mesma, reconheço, companheira. O sol castiga mais; é fatigante; É me imposto Curvo-me, obedeço. Em meu exílio interno, externo minha dor A distancia é cada vez mais extensa. O fim ameaça, não tão longe; desvaneço. Tenho saudade de que fui, dos que se foram... A solidão espalha seus uivos, me estremeço Contra a esperança espero, me sustento Sendo assim, neste espaço sem fim, ao menos, não desapareço! Meu exílio, foi sutil Não foi explícito, mas doentio. Foi medo, foi tortura, foi pra não ver a morte de um amor; o descomeço. Deixei uma parte de mim ali pra seguir Minha mochila com meus retratos; e recordações, (até hoje), abasteço. Mas mesmo assim com aquilo que não...