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Mostrando postagens de janeiro, 2017

MAR AMANHECIDO

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  EUGÊNIO ABATTE                                                                                Levado pelas correntes do mar amanhecido Tragado pela força dos ventos Navego para o encanto desconhecido Vem das águas esse som de lamentos Vou assim, sem querer mais nada... Aliás, nada é o que sobrou de minha canção. Este mar é meu, sou eu, o tempo a jangada Navegando, jangando em meu coração. Longe de tudo, vou sem ser sonhador Longe me vou, além do confortável limite Mas a razão insiste, entre a emoção se por. A ânsia faz que meu medo vomite. Amo este mar que amanhece com manha Quando tudo é novo, a esperança desponta O mar me arrasta em sua grande sanha Assim vou... Superando da vida o faz de conta!

ESCOMBROS

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EUGÊNIO ABATTE Vejo os   escombros   em minha volta Ruínas de mim, do que fui Perdi a cabeça, a crença; min'alma do corpo salta Livrar-me das feridas, quem dera, mais sofrer inclui. Não sei: Vejo o céu escuro em pleno dia Poeira, beira o céu em névoa de pó Cego tento olhar o que há muito já - não - via Resta o resto de mim que arrasto da vida, só. Queria ao menos as estrelas para manter-me... Inocentemente acreditando no amor Já não as tenho, não as tenho, não iludo-me Acreditando que, quem sabe, isto passe quando dia se por E o sol descansar no sombrio e tenso mar... Então o luar suave penetrar protegendo-me no chão Sob o que o mundo desabou sobre mim... e então... Enfim, meu gemido das profundezas vazar. E eu, mais um desta vez - talvez - sobreviver a queda Reconstruir meu caminho, reaprender a ser Transpondo a mágoa, respirar, aspirar, transpirar...  Nascendo da terra, como semente, e, simplesmente Dali pre frente at...

QUERO PAZ - EUGÊNIO ABATTE

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Não quero mais amor - Me entenda - quero paz. Da flor; o perfume Já me satisfaz. Me cansei de ser... Ser um entre os tais Entre iguais viver Repetindo, reciclando ideais Não querer é nada demais. Nada de menos Quero, ademais A vida dos serenos Se não vem da prata  lua Que me traga o ouro sol Que pinte com requinte   minha rua Com a cor  do girassol E que seja doce  a minh'alma Ande, siga assim, tão nua Sem reparos, sem agalma. Verdadeira, sã e crua Vou alienar nessa loucura Sem a dor das algemas Que me surpreenda de tão pura Pós tantos ais, tantos dilemas Não me julgues assim, Eu que sobrevivi ao fim Mas não impune Eu escapei por um fio Não, não me tonei um ser frio... Apenas uma alma imune Deixo óbvia minha escolha À quem vê e não me olha Quem sou, me tornei aos poucos Portanto, não me dê amor em vão Só lealdade, amizade; sem sermão Me de a paz destinada aos loucos....