CRUEL VAZIO - EUGÊNIO ABATTE
Esperei-te nas idas e vindas do sol Mesmo no tempo de nublado dia Aguardei-te, morena cor. Envolvido de esperança num sentimental atol Com as mãos em aflição de suor da agonia Respirando ofegante num quase estertor. Esperei-te das manhãs aos anoiteceres Cada dia uma volta e um buquê na lata. Uma decisão, uma última vez; mas, nada! Hoje a noticia, a descoberta: Não me queres. O som do triste tema me relata. Que és do meu ingênuo sentimento, alienada. Adeus meu porto de tanta espera À Deus entrego meu ser tão sentido Enquanto deste louco amor me esvazio. Tendo na boca o doce e o ácido da nêspera Saio da luta, te perdendo e tão perdido Vai meu anjo ser feliz; deixando-me em cruel vazio.