FLOR DO DESERTO - Eugênio Abatte
Quero paz do pássaro que canta em meio ao temporal
Do velho marinheiro que dorme em meio a tempestade
Quero a paz de quem vê o bem em meio a dor infernal
A paz de quem consegue sorrir feliz onde todos vêm a calamidade
Quero a paz de quem vem de uma derrota crendo que vira o jogo
De quem se esforça, luta e segue apesar dos oponentes
A paz da fêmea que corre e protege a cria na floresta em fogo
De quem ama, cercado de ódio, intriga, raiva e da fala dos descrentes
Quero a paz da flor do deserto que nele nasce e sobrevive
A paz do caça ofegante nas frestas das pedras, livre do algoz
A paz do intervalo da guerra, do silencio mortal de quem vive
Das estrelas já mortas, que brilham em meus olhos; me embargam a voz
Quero a paz que ninguém poderá me oferecer
A paz da alma, do coração vencendo os temores
Quero a paz da inocência infantil, sem nada temer
Quero a paz do alto, do céu aqui na terra
Em mim, por mim; um sonho que a realidade encerra
Quem vem de Deus, que me faça ver, além dos espinhos, as flores!
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