A SORTE DE AMAR - Eugênio Abatte
não me ames, por favor,
com este amor que faz de mim um condicionado espectador.
com este amor que alimenta os olhos, e faz definhar um coração iludido que nunca - de fato - soube amar.
com este amor, de graças e risos com o espelho,
que em si completa, se basta e não compartilha.
que faz da espera, vã.
com este amor, que em si começa, como um sol se vê, e ofusca a alma do pobre que amor se gasta, que nem a indiferença desse traz.
Faço consumir a esperança na poesia, em uma lápide branca do papel onde se encerra o desejo não consumado.
Um coração de poeta não nota: Romântico, amante, não sabe a dor que muitas vezes viverá.
Que a inimiga aceita, lhe espera com a derradeira lágrima.
Não ames por favor.
Com o amor que a este as migalhas já não suprem .
no desespero da espera, vivo, sobrevivo.
aos sapos, aos cortes e ao tempo; sobrevivo!
Vi que desdenhas do seu auto-mundo distante, meu coração que não sabia amar, que aprendeu sob o lento fogo da paixão submissa.
Perdôa-me, se ignorante nesta arte me querias ter; agora é tarde!
Mesmo assim, prefiro a morte, a me arrepender!
Arrepender-se de amar ,é melhor do que nunca ter amado!
Se não fui feliz no amor; tive a sorte de amar.
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