A LEMBRANÇA - Eugênio Abatte


                                                             
Nem eu, nem você éramos para estar ali.
Eu de longe, você com tantos por perto.
Por instantes em teus olhos me perdi
Como na escuridão do mar; rumo incerto...
Um leve e sutil sorriso consegui  notar;
Em teus  lábios com um leve batom.
Achei-me sorrindo, você a me olhar.
Entre nós, nada, ninguém; nenhum som

A paixão ali de repente exposta
Então a entrega, o curvar-se, a aposta
O amor vindo como de um conto.
Foram lindos aqueles momentos
Intensa entrega e mil sentimentos;
Não falo com dor, nem desaponto.

É menina, eu te amei assim; acredite.
Desse jeito, em doce loucura.
Amei com um amor fora do limite
Sem juízo, sem remédio, daí, sem cura.
Amei sem defesa, sem saída, sem mais!
Sem nada esperar; por isso a rendição.
O aceitar que para você, talvez, foi demais.
Para mim pura benção, pra você maldição.

Lembro-me depois de tudo e digo: Amei.
Pois com você  e em você encontrei;
O dom, o gosto de gostar até ali perdido.
Não tenho mais você, mas tenho tudo...
O sabor do beijo, o calor do abraço; sobretudo;
a certeza de ter sido 
intensamente correspondido!






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