PESCADORA DO MEU SER - Eugênio Abatte



Vivo agora a esperança do ser feliz; 

Minha doce canção de verão. 

Presença de suave domínio 

Que restituiu-me o coração menino 

Minha paz, de delicada emoção 

Você é isso, é a vida querendo viver 

Protegendo-se da desilusão entre as grevas 

Audaz, me defendendo sangrando as trevas 

Ferida às vezes, ou, quantas vezes 
Recusa-se a fenecer. 

Amor sem vergonha de ser amor 

Que se expõe sem temer a dor doida 

Afastando-se do passado amargo 

E restaura min' alma no desamor; perdida 

Pescadora do meu ser 

Das garras de animais internos vorazes e ferozes 

Das ressonantes vozes das profundezas atrozes 

E do silencio da cruel solidão externa 

Que me via morrer


Envolveste -me com teu encanto 

Viestes das nuvens, como um anjo; 

Anjo mulher, de força libertadora? 

De olhar angelical que me fascina agora 

Sem asas, artifícios ou arranjo. 

Angélica flor que enfeita minha tarde 

Cheiro da paz, cor de sonho, sabor desejo

Curvo-me, para colher de ti um cálido beijo 

A vermelha, velha chama, em meu peito entregue; 

 sinto que arde.


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