EXISTENCIAL OUTONO - Eugênio Abatte


A dor não passa. 
É tanto pressão na ferida. 
O tempo me ultrapassa 
e me leva a vida. 
Sei que não importa o meu estado.
Se está doendo ou não; vivo calado; 

condição me imposta. 
De alguma forma sou o culpado; 
é a sentença. 
A dor é uma mentira
A fome, é uma desculpa; 

que me vença!. 
O cansaço, o estigma, as ausências... 
Colheita, é a explicação! 
Deus sabe, e isto me basta; 
me acalma o coração. 
É noite, espero o dia clarear
 e verei, enfim, a estrada. 
É choro, mas espero 
o sorriso chegar 
com a benção adiada. 
A presente ausencia 
não é abandono; 
é o mais amoroso desejo: 
Desejo que passe 
o existencial outono, 
desimpedindo a primavera; 
meu ensejo. 
Quero levar, além da conhecida dor;
 a cura. 
Que eu leve os presentes escassos; 
mas acima de tudo 
que eu leve a paz. 
Que eu vá em breves passos; 
e pague as dividas emocionais. 
Que o tempo não rasure 
o bom sentimento; 
que não mais 
procurem o erro. 
Que eu possa amar;
ser amado; 
sem uma gota de ressentimento, 
Que no passado, enterro!
  

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