SENTENÇA - Eugênio Abatte


Ponha o dedo na minha cara, se quiseres, e digas que fiz-te sofrer de amor. 


Que queimei os teus lábios com calor dos meus ardentes beijos. 

Que a fiz tropeçar nas rosas no chão agitadas como um bravio mar. 

Que sufoquei a alma, tua alma, de carinhos, caricias e querências tão caras... 

Diga que sequestrei teus sentimentos, que pedi em resgate, só a tua atenção. 

Que a roubei de outros braços, a mão armada de versos, poemas e trovas.

Que enfrentei o teu povo, teu pai e padrasto na rua da rima do samba canção. 

Que marquei o teu rosto com o suor do meu rosto, na noite em que chorei d'amor

Pelo que vivemos com tanta intensidade e possessão, possivelmente, vã. 

Se for, enfim, disso que me acusas; de violência gentil, sensível, tão rara e repentina. 

Eu me entrego, confesso e aceito que a vida me puna com a sentença: Solidão. 

Pois amar como eu te amei, nunca mais, nem mesmo tu!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UM DIA A MAIORIA DE NÓS IRÁ SE SEPARAR...

JÁ NÃO SOU HOJE - Eugênio Bp

AMAR-TE EM SEGREDO/Eugênio Bp