VIAJANTE SEM RUMO - EUGÊNIO ABATTE
Andei por tantos lugares
Ansiando por um lugar comum
Eu que sou tantos olhares
Já não me vejo em lugar nenhum
Dei muitos e lentos passos
Outros, outros após um...
Em vias e rumos escassos;
Desço pelo vale sem caminho algum!
Experimentei sabores,
Fatores, cores de carne e osso
Ingerindo indigestos dissabores
Na vida o mal gosto, um gosto insosso
Sou eu um viajante do nada
Na estrada nublada a me cercar .
Nem asas eu tenho para voar...
Sem ninho, sem ter para onde voltar.
Eu viajante submisso
No espelho d'água não me reconheço
Procuro no fim meu começo...
Nada mais, nada mais, além disso!
Meus pés em chão ardente
Busca o refrigério de teus braços
Só deles meu coração ressente
Enquanto me envolvem cruéis laços
Não sei dos tempos. Que tempos?
Nem tempo para isso, tenho
Escorregando vou nos contra-tempos
Que eu, até, inconveniente desdenho
Um copo d'água, um café
Uma conversa; meu repouso
Um canto pra meu
canto de fé
Minha sobrevivência,
meu chouso
O vento, o ar, o céu, eu sou...
A esquina, a ladeira, o concreto
É onde sigo vivo
e na vida estou...
Sem ser notado,
passo
livre e discreto!
Vídeo editado por Nara Leão
Meus pés em chão ardente
Busca o refrigério de teus braços
Só deles meu coração ressente
Enquanto me envolvem cruéis laços
Não sei dos tempos. Que tempos?
Nem tempo para isso, tenho
Escorregando vou nos contra-tempos
Que eu, até, inconveniente desdenho
Um copo d'água, um café
Uma conversa; meu repouso
Um canto pra meu
canto de fé
Minha sobrevivência,
meu chouso
O vento, o ar, o céu, eu sou...
A esquina, a ladeira, o concreto
É onde sigo vivo
e na vida estou...
Sem ser notado,
passo
livre e discreto!
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