CARA AMARRADA - EUGÊNIO ABATTE
Desculpe-me a cara amarrada
O olhar para o nada
A barba mal feita
O velho coração no peito
Desfaz-se em lamento
O consolo rejeita.
A mala sobre a cama
A fuga, o destino, a trama
A partida indesejada...
A neblina que densa esconde
Encobre as marcas por onde
A vida segue arrastada.
Mas ficar é viver sob tensão.
Ir é ver morrer a paixão.
Se é o que me cabe, me rendo.
Por hora é o que me resta
A força a fé me empresta
Assim vou resistindo e vivendo!

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