A FARSA DA NOITE - Lucas Eugênio
A interminável noite se aproxima, vestida de escuridão. Espreita, desrespeita e despe-me...
Deita-me, a despeito da minha vontade e desejo.
O medo a destarte a reboque vem.
A noite ditadora priva, tira do mar, o azul.
Poderosa e má, densa e sombria, iníqua, sem pudor se expõe a zombar.
Sem modos, inoportuna; traz no olhar a sombra.
Inspira, insira na pena do poeta o verso...
Mas, o inverso a pena impõe a mim a névoa que me encobre como um véu.
Sua presença imposta; desgosta!Quem nela aposta, em seu labirinto escorre, esconde a alma dos algozes.
Quanto a mim: A noite lenta, mente, me traz a mente o sonho que real a mente pensa ser.
Ah...A manhã que chega! Anunciada pelo um raio de luz, que por uma pequena abertura, a fresta, passa como um metal em brasa a me despertar. A angustia que às escuras tinha em meu peito aceito, passa.
Há luta.
Pois reluta o meu ser, não se rende à evidente verdade que chega. A treva imposta encosta a porta e sai. O dia ri, gargalha, brilha como a me dizer: Sou eu!
Desconfio e não correspondo, nem respondo. Viro-me, ajeito-me e durmo.
Do sono, um sonho, da noite os sons estranhos, não incomodam mais...
O silêncio reina. Indiferente, volto a dormir. Só volto à vida quando sol nascer.
Conformismo? Não. Cansado dessa rotina do vai e vem, sim. Mas a esperança me atrai, me toca, me enche de expectativas. A noite dura só um instante, um interregno. Um espaço de horas onde o controle nos foge das mãos. Pois tudo o que é, já foi, e, voltará a ser, neste circulo de coisas e acontecimentos.
Lucas Eugênio

Comentários